COFEN: novas diretrizes de uso de equipamento de desfibrilação pela Enfermagem

COFEN: novas diretrizes de uso de equipamento de desfibrilação pela Enfermagem

Pacientes com parada cardíaca devem, se indicado, ser desfibrilados o mais rápido possível – idealmente em 3 minutos. Cerca de 30% das paradas cardíacas intra-hospitalares são causadas por fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, sendo que a desfibrilação imediata pode atingir taxas de sobrevivência de até 80%. A desfibrilação bem-sucedida ocorre quando uma massa crítica de miocárdio é despolarizada pela passagem de uma corrente elétrica.

O tratamento definitivo é a desfibrilação rápida, sendo o atraso do colapso até a entrega do primeiro choque o determinante mais importante da sobrevida (Resuscitation Council (UK), 2011). A desfibrilação tardia está associada a menores taxas de sobrevida. Um grande estudo nos EUA mostrou que 39,3% dos pacientes desfibrilados em menos de dois minutos sobreviveram à alta, em comparação com 22,2% que foram desfibrilados após dois minutos (Chan et al, 2008).

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O Cofen – Conselho Federal de Enfermagem publicou a Resolução nº 704/2022, normatizando a atuação dos profissionais de Enfermagem na utilização do equipamento de desfibrilação na assistência ao paciente em parada cardiorrespiratória.

A resolução visa assegurar o atendimento às vítimas de parada cardiorrespiratória que necessitam do uso imediato de desfibrilador, ampliando a atuação dos enfermeiros nos ambientes intra e extra hospitalar. Desta forma, enfermeiros poderão fazer o manuseio do aparelho manual multiparamétrico para salvar vidas. A resolução foi elaborada pela Comissão Nacional de Urgência e Emergência – Conue e pela Comissão Nacional de Terapia Intensiva – CNTI.

Segundo o relatório do conselheiro do Cofen, “há uma redução de 7 a 10% na sobrevida a cada minuto em que há atraso na desfibrilação (…); a realização de manobras de RCP (ressuscitação cardiorrespiratória) aumenta as chances de sucesso na desfibrilação.”

Apesar de a utilização do desfibrilador manual multiparamétrico ser de uso médico, a Lei que dispõe sobre o exercício da Medicina, não traz como procedimento privativo do profissional médico. Sendo assim, segundo o Cofen, o procedimento pode ser realizado por enfermeiros devidamente treinados em situações de risco iminente de morte.

Fonte da imagem: Freepik

Fonte:

• COFEN
• Chan P et al (2008) Delayed time to defibrillation after in-hospital cardiac arrest. New England Journal of Medicine; 358: 1, 9-17.
• Gwinnutt C et al (2000) Outcome after cardiac arrest in adults in UK hospitals: effect of the 1997 guidelines. Resuscitation; 47: 125-135.
• Resuscitation Council (UK) (2011) Immediate Life Support. London: RCUK.



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