- 6 de outubro de 2026
- Posted by: Grupo IBES
- Category: Acreditação
Chegar ao Nível 1 da Acreditação ONA mostra que a instituição tem a segurança do paciente estruturada em todas as áreas. O passo seguinte, o Nível 2, o Acreditado Pleno, faz outra pergunta: as áreas trabalham juntas? Cada setor pode ser seguro isoladamente e, mesmo assim, o paciente sofrer nas passagens entre um setor e outro.
Este artigo mostra o que muda na transição para o Nível 2 e como consolidar a gestão integrada e os indicadores, passo a passo.
O que muda do Nível 1 para o Nível 2
No Nível 1, o foco está em cada área: riscos identificados, barreiras implantadas, protocolos seguidos. No Nível 2, o foco passa para o caminho que o paciente percorre dentro da instituição. Da recepção à alta, ele atravessa vários setores, e cada passagem é um ponto em que a informação pode se perder, o tempo pode se alongar e o risco pode aumentar.
Por isso, o Avaliador deixa de olhar só para dentro de cada setor e passa a perguntar como os setores se relacionam, como medem o próprio desempenho e o que fazem com os resultados.
Passo 1: desenhe os processos de ponta a ponta
O ponto de partida é enxergar a instituição como uma sequência de processos, e não como um conjunto de departamentos. Escolha os fluxos principais, como o do paciente cirúrgico ou o do paciente que chega pelo pronto atendimento, e desenhe cada um do início ao fim.
Para cada etapa, registre quem executa, o que recebe da etapa anterior e o que entrega para a seguinte. O desenho mostra onde estão as interfaces, e é nelas que costumam estar as falhas.
Passo 2: formalize o que cada área entrega para a outra
Quando uma área depende da outra, a relação precisa estar combinada: o que será entregue, em que prazo e com que qualidade. O laboratório e a emergência, a farmácia e a internação, o centro cirúrgico e a central de materiais.
Esses acordos entre áreas transformam reclamações informais em requisitos claros. Se o prazo combinado não é cumprido, a falha aparece, é discutida entre os responsáveis e gera ação, em vez de virar conflito de corredor.
Passo 3: defina indicadores que mostrem desempenho
No Nível 2, os indicadores deixam de ser só registros e passam a ser ferramenta de gestão. Cada processo importante precisa de indicadores que mostrem se ele está funcionando, combinando indicadores de processo, como o tempo de liberação de um exame, e de resultado, como a taxa de infecção ou de reinternação.
Cada indicador precisa de uma ficha: como é calculado, de onde vêm os dados, com que frequência é medido, qual é a meta e quem responde por ele. Sem essa definição, o mesmo indicador é calculado de formas diferentes a cada mês, e a comparação perde o sentido.
Passo 4: faça a análise crítica dos resultados
Medir sem analisar não muda nada. A análise crítica é o momento em que o responsável olha o resultado, compara com a meta e com os meses anteriores, explica o que aconteceu e decide o que fazer.
Na visita, o Avaliador procura essa ligação: o indicador ficou fora da meta, houve análise e a análise gerou uma ação com prazo e responsável. Um painel cheio de gráficos sem nenhuma decisão registrada mostra que a gestão por indicadores ainda não está madura.
Passo 5: trate riscos e eventos entre os setores
Muitos eventos adversos nascem em uma área e aparecem em outra. A medicação prescrita de forma ambígua vira erro na administração, a informação que não foi passada na transferência vira atraso no tratamento.
Na gestão integrada, a análise desses eventos reúne todos os setores envolvidos, e as ações de melhoria atacam a interface, não apenas a área em que o problema foi percebido.
Passo 6: estruture a comunicação entre as equipes
As passagens críticas do cuidado precisam de comunicação padronizada: a passagem de plantão, a transferência entre setores, o encaminhamento para exames e a alta. Um roteiro comum garante que as informações essenciais sejam transmitidas sempre, independentemente de quem está de plantão.
A comunicação também vale para a gestão. Os resultados dos indicadores e as decisões tomadas precisam chegar às equipes, para que todos saibam como o seu trabalho afeta o processo inteiro.
Passo 7: mantenha o Nível 1 de pé
O Nível 2 se apoia no Nível 1. Protocolos de segurança, gestão de riscos, Núcleo de Segurança do Paciente atuante e documentação atualizada continuam sendo avaliados. Uma instituição que concentra toda a energia nos indicadores e deixa a segurança afrouxar perde a base sobre a qual a gestão integrada é construída.
Antes da visita, faça uma auditoria interna que olhe as duas camadas: a segurança de cada área e a integração entre elas.
Sinais de que a instituição está pronta para o Nível 2
- Os principais processos estão desenhados de ponta a ponta, e as equipes sabem o que entregam e o que recebem.
- As áreas que dependem umas das outras têm acordos claros e discutem quando eles não são cumpridos.
- Os indicadores têm ficha, meta e responsável, e são analisados com regularidade.
- As análises geram ações registradas, e é possível mostrar o efeito delas nos resultados.
- Os eventos que envolvem mais de um setor são analisados em conjunto.
Se algum desses pontos ainda não está presente, ele é o próximo passo do plano de ação.
Integração é o que prepara a instituição para a excelência
O Nível 3, o Acreditado com Excelência, exige uma cultura de melhoria contínua que se sustenta com o tempo, e isso só é possível quando os processos já conversam entre si e os resultados já orientam as decisões. Consolidar bem o Nível 2 é construir esse caminho.
Para entender em que estágio a sua instituição está hoje, veja o artigo ONA Nível 1, 2 e 3: como identificar em qual estágio de maturidade sua instituição está. E, para preparar as lideranças para a visita, leia Como preparar os líderes de setor para as entrevistas na visita de avaliação ONA.
O Grupo IBES conduz a Acreditação ONA em instituições de saúde de todo o país. Conheça como funciona a Acreditação ONA com o Grupo IBES e fale com a nossa equipe sobre o momento da sua instituição.
