- 17 de setembro de 2026
- Posted by: Grupo IBES
- Category: Segurança do Paciente
No Dia Mundial da Segurança do Paciente, vale voltar ao básico que sustenta todo o resto: as seis metas internacionais de segurança do paciente. Quase toda instituição conhece as metas. O desafio está em outro lugar: fazer com que sejam cumpridas em todos os turnos, por todas as equipes, todos os dias.
As seis metas
No Brasil, as metas orientam os protocolos básicos do Programa Nacional de Segurança do Paciente, do Ministério da Saúde:
- Identificar corretamente o paciente, com pelo menos dois identificadores antes de qualquer cuidado.
- Melhorar a comunicação entre os profissionais, principalmente nas passagens de plantão e nas transferências.
- Melhorar a segurança na prescrição, no uso e na administração de medicamentos, com atenção especial aos de alta vigilância.
- Assegurar cirurgia no local, no procedimento e no paciente corretos.
- Higienizar as mãos para prevenir infecções relacionadas à assistência.
- Reduzir o risco de quedas e de lesões por pressão.
Por que a adesão falha
A falha raramente vem de desconhecimento. Ela aparece quando a meta depende da memória e da boa vontade de cada profissional, em uma rotina com pressa, interrupções e troca de equipes. Um protocolo que existe no papel e não tem acompanhamento tende a perder força em poucas semanas.
Como garantir a adesão da equipe
1. Transforme a meta em um passo da rotina
A adesão cresce quando cumprir a meta é o caminho mais simples. Pulseira de identificação conferida no momento da medicação, checklist de cirurgia segura como etapa obrigatória do fluxo, dispensador de álcool no ponto de cuidado. O protocolo precisa estar onde o cuidado acontece.
2. Meça a adesão, não só os eventos
Contar eventos adversos mostra o problema depois que ele aconteceu. Medir a adesão, por meio de auditorias de observação e indicadores por meta, mostra o risco antes. Uma auditoria simples e frequente vale mais do que uma avaliação completa uma vez por ano.
3. Devolva o resultado para quem executa
Indicador que fica na gestão não muda comportamento. Compartilhar os resultados de adesão com cada equipe, de forma periódica e sem tom punitivo, cria senso de responsabilidade e mostra que o esforço está sendo visto.
4. Envolva as lideranças de cada setor
Coordenadores e líderes de turno são os que sustentam a meta no dia a dia. Quando a liderança acompanha a adesão e trata o tema nas reuniões da equipe, a meta deixa de ser uma exigência da qualidade e passa a ser parte do trabalho.
5. Capacite em serviço, de forma contínua
Treinamentos pontuais perdem efeito com a rotatividade. Capacitações curtas, no próprio setor e repetidas ao longo do ano, alcançam os profissionais novos e reforçam os antigos.
6. Aprenda com os eventos
Quando algo dá errado, a pergunta útil é qual barreira falhou, e não quem errou. A análise dos eventos, com participação da equipe envolvida, é o que transforma um incidente em melhoria do processo.
Da meta à cultura de segurança
As seis metas são o ponto de partida da segurança do paciente, não o ponto de chegada. Instituições que sustentam a adesão ao longo do tempo têm em comum o mesmo fator: processos acompanhados, medidos e revistos, com a participação de quem está na ponta.
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