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Em muitos hospitais, a preparação para a Acreditação ONA avança bem na enfermagem, na farmácia e nas áreas de apoio, e trava no corpo clínico. Os protocolos existem, a equipe de qualidade cobra, mas a adesão dos médicos fica abaixo do necessário e aparece na visita.

O problema raramente é falta de compromisso com o paciente. É a forma como a acreditação é apresentada a quem tem pouco tempo, muita autonomia e nenhuma paciência para burocracia. Este artigo mostra como mudar essa conversa.

Por que o corpo clínico resiste

A resistência costuma ter três origens. A primeira é o tempo: o médico vive a pressão do atendimento, e toda exigência nova parece competir com o paciente. A segunda é a linguagem: termos como “evidência”, “conformidade” e “não conformidade” soam como fiscalização. A terceira é a relação com a instituição: boa parte do corpo clínico não é contratada diretamente e não se vê como dona dos processos do hospital.

Entender essas três origens muda a estratégia. Não se trata de convencer o médico a gostar de acreditação, e sim de mostrar que ela resolve problemas que ele já tem.

1. Comece pelo que incomoda o médico

Exame que não chega a tempo, material que falta na sala, prontuário incompleto, paciente que volta porque a orientação de alta não foi entendida. São problemas que o médico sente todos os dias.

Apresente a acreditação como o método para resolver essas falhas de forma estruturada. Quando o protocolo nasce de uma dor real, a adesão deixa de ser uma cobrança e passa a ser uma melhoria que o próprio médico pediu.

2. Envolva as lideranças médicas desde o início

O diretor clínico, o diretor técnico e os coordenadores de especialidade precisam participar das decisões, e não apenas receber os protocolos prontos. Médico ouve médico.

Quando um coordenador explica aos colegas por que um protocolo existe e como ele foi construído, a conversa muda de tom. A equipe de qualidade continua conduzindo o processo, mas a voz que chega ao plantão é a de um par.

3. Construa os protocolos junto com quem vai usar

Protocolo escrito só pela qualidade tende a ser tecnicamente correto e pouco praticável. Protocolo construído com os médicos que vão segui-lo considera a rotina real, e por isso é seguido.

Um caminho simples é formar grupos pequenos por especialidade para revisar os protocolos que mais impactam cada área, com prazo curto e objetivo claro.

4. Mostre dados, não regras

O corpo clínico é treinado para decidir com base em evidência. Use isso a favor do processo: apresente os indicadores do próprio hospital, como tempo de espera, eventos adversos, reinternações e adesão aos protocolos, e mostre a evolução ao longo do tempo.

Um gráfico que mostra a queda de um evento adverso depois de uma mudança de processo convence mais do que qualquer apresentação sobre a importância da qualidade.

5. Respeite o tempo do médico

Treinamentos longos em horário fixo têm baixa adesão. Prefira encontros curtos, conteúdos objetivos e momentos que já fazem parte da rotina, como as reuniões clínicas.

O mesmo vale para os registros: se preencher um formulário consome tempo demais, a adesão cai. Revisar os registros para que peçam só o que é necessário é, muitas vezes, a mudança que mais aumenta a participação.

6. Dê retorno e reconheça

Médico que participa de uma melhoria precisa ver o resultado. Compartilhe os avanços, apresente os indicadores que melhoraram e dê crédito a quem contribuiu.

O reconhecimento público, em reuniões e comunicados internos, reforça que a acreditação é construída por todos, e não imposta pela área de qualidade.

O que muda na visita de avaliação

O avaliador conversa com os médicos, observa a prática e confere se os protocolos são conhecidos e seguidos. Quando o corpo clínico participou da construção do processo, as respostas são naturais, porque descrevem a rotina que eles mesmos ajudaram a desenhar.

Se você ainda está definindo em que estágio a sua instituição se encontra, o artigo ONA Nível 1, 2 e 3: como identificar em qual estágio de maturidade sua instituição está traz perguntas objetivas para esse diagnóstico.

O Grupo IBES conduz a Acreditação ONA em instituições de saúde de todo o país. Conheça como funciona a Acreditação ONA com o Grupo IBES e fale com a nossa equipe sobre o momento da sua instituição.