Como a inovação pode ajudar as instituições de saúde em meio à pandemia

Ainda não foi oficializado, mas é notado pelas notícias divulgadas nas mídias que estamos entrando em uma segunda onda da pandemia da Covid-19 em boa parte dos países da Europa e continente americano. Vemos no Brasil alguns hospitais já declarando 100% de ocupação dos leitos exclusivos para esse atendimento.

O mundo todo sofreu impacto com essa pandemia, mas se há um lado positivo nesta história é que aprendemos muito com a primeira onda e todo esse aprendizado nos torna mais fortes e resilientes para as novas batalhas que virão. Não há como prever quantas ondas serão, quando estaremos imunizados com as vacinas ou qual será o impacto final disso tudo globalmente, mas podemos observar as tendências e nos apropriarmos das novas tecnologias para reagirmos muito mais rápido frente às crises.

Aproveitando que estamos falando em reação, é comum no mundo corporativo que as empresas ou as instituições busquem inovações ou melhorias em seus processos de forma reativa. Em geral, costumam ser contratadas consultorias renomadas e de alto custo, buscando equalizar uma vantagem competitiva frente aos concorrentes e/ou buscando uma nova solução tecnológica para evitar obsolescência no mercado.

Com exceção de algumas áreas que tem em si a cultura da pesquisa e o foco em estudos contínuos, como costuma ser a indústria farmacêutica, não era muito comum até alguns anos atrás vermos empresas que investiam em áreas internas de inovação e desenvolvimento de novas tecnologias. Essa atividade era deixada para empresas especializadas ou específicas da área de tecnologia.

Eu disse que não era comum, porque a partir de alguns anos para cá, com o advento da transformação digital, melhoria da infraestrutura e aumento de troca de conhecimento favorecida pela Internet, temos visto uma aceleração no lançamento de novas soluções. Muitas vezes essas soluções têm se mostrado disruptivas em seus mercados, e em alguns casos levando empresas centenárias à falência, como foi o caso da Kodak.

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O ambiente de tecnologia, de certa forma, traz empresas de ramos diferentes, de portes incomparáveis entre si, para o mesmo cenário de concorrência e, o que antes poderia ser visto como desvantagem (por exemplo porte da empresa), torna-se uma vantagem competitiva pela velocidade que algumas startups conseguem mudar o foco (pivotar) e lançar uma solução de forma mais ágil.

Considerando esse novo cenário competitivo, as empresas têm se atentado para a obrigação da inovação, mesmo que essa inovação “canibalize” o próprio negócio. Isso porque a estratégia prefere que isso seja feito internamente, antecipando um cenário em alguns casos inevitável.

A missão dessas áreas de inovação não é fácil, muitas vezes enfrentam uma grande barreira dentro da própria empresa, invisível para quem está de fora, mas que gera forte impacto na visão de futuro do negócio. Estou falando da cultura da estabilidade, do planejamento de longo prazo, em que conhecemos todos os fatores, onde é possível prever com antecedência os movimentos do mercado e dos concorrentes. Mas isso é apenas uma das barreiras, porque as tecnologias, os novos entrantes e as mudanças causadas pela pandemia não perdoam, e impulsionam obrigatoriamente as empresas para frente, sem direito à escolha em permanecer na zona de conforto.

À essa altura já deu para você entender que esse movimento é inevitável e todos estamos no mesmo barco. Acredito que até pouco tempo as farmácias não imaginavam que uma empresa de tecnologia como a Amazon seria uma concorrente, mas veja só quem também resolveu entrar neste mercado!

O turn point desse jogo é quando paramos de pensar de forma reativa e passamos a agir de forma proativa. Quando buscamos tomar a iniciativa em entender as dores dos nossos clientes, sobre como podemos agregar mais valor, trazendo para o centro da estratégia o propósito real e empático com a sua experiência.

Essa mudança passa por uma virada de mindset e pela transformação digital dos processos. Implantação de cloud, Inteligência Artificial, Machine Learning, Internet das Coisas e Ciência de Dados. Todas essas tecnologias têm invadido o mercado, mas acredite quando digo que elas são apenas ferramentas que apoiam as empresas. Por si só elas não transformam os negócios!

Para gerar inovação, é preciso mais do que simplesmente questionar a forma como as coisas são feitas. É preciso entender todo o valor disponível em seus produtos, serviços e novas oportunidades na sua cadeia de valor. É necessário conhecer profundamente os clientes e como é possível aplicar toda base de conhecimento em novas soluções. É preciso olhar de forma aberta para todo ecossistema e enxergar valor em soluções complementares, avaliar oportunidades de parceria com startups, universidades e até mesmo concorrentes em prol dos clientes. É necessário olhar para também para os nichos e individualização das necessidades. Algumas vezes será necessário criar uma spin-off do próprio negócio para atender esses mercados com menos custos, mantendo uma estratégia bimodal, uma focada no business as usual e outra voltada para inovação e novos mercados.

Pesquisas mencionam que a pandemia acelerou em pelo menos 6 anos todo o processo de transformação digital do mercado. A chegada da tecnologia 5G promete acelerar ainda mais com possibilidade de aplicação de carros autônomos e outros modelos de sensores.

A área de saúde tem grandes oportunidades com a ascensão de novas tecnologias que tem surgido e revisões de processos que tem ampliado o alcance da telemedicina, wearables que monitoram sinais vitais, startups vendendo soluções de exames simples com assertividade e resultado acelerado, além de grandes empresas revolucionando em estudos de impressão de órgão 3D, nano-robôs, cirurgias pouco invasivas à distância, transporte de órgãos via drones e tecnologias de exames por imagem com alta definição.

É fato que com tudo isso teremos reduções de custos, menor tempo de internação, menos riscos de infecção, maior qualidade no resultado das cirurgias, menos incidentes, possibilidade de aumento de produtividade dos médicos e enfermeiros, menos custos com medicamentos.

O resultado de tudo isso é a integração dos melhores resultados da junção tecnologia e ser-humano, gerando impacto no aumento da qualidade de vida, além do aumento na estimativa do tempo de vida do ser humano, que já um fato. Essa peça principal, o ser-humano, seja médico, seja paciente, seja um profissional assistencial ou que atua nos bastidores é o único que poderá ser alterado. Suas dúvidas, receios, ansiedades e desejos não devem mudar, e na missão de entender essas emoções e reagir de forma empática não há disrupção.

Se você ainda acha que inovação é tema de filme de ficção ou no máximo um problema da área de tecnologia, pense mais uma vez no assunto! Você se enxergou em algum exemplo ou pensou em uma oportunidade para melhorar os seus resultados? Sejam quais forem os seus desafios nesse momento, nosso objetivo é transformar o sistema de saúde. Conte com o Grupo IBES para caminharmos juntos nessa jornada de transformação desenvolvendo o mindset de Inovação focado nos clientes, revisando seu planejamento estratégico e capacitando o seu time de profissionais e executivos através de oficinas de Design Thinking para desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Um abraço e até a próxima!

Autor: André Pádua
Sobre o autor: Profissional certificado em metodologias Ágeis, Pós Graduado em Gestão de TI, com experiência de mais de 15 anos na área de Tecnologia em empresas de grande porte das áreas financeira e varejo, atuando com Gestão Estratégica de Fornecedores, Gestão de Processos, Governança, Controladoria, Gestão Orçamentária e Desenvolvimento de Sistemas.

Fonte da imagem: Freepik



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