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As Dores da Carreira do Profissional de Saúde

72% dos enfermeiros e 59% dos médicos não se sentem reconhecidos e apreciados adequadamente por seu trabalho

A carreira de um profissional de saúde, embora recompensadora, está repleta de desafios significativos que afetam tanto o bem-estar pessoal quanto a qualidade do atendimento aos pacientes. O aumento da demanda por serviços de saúde, combinado com a escassez de profissionais qualificados, tem gerado uma pressão crescente sobre esses trabalhadores. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que haverá uma escassez global de 18 milhões de profissionais de saúde até 2030, exacerbando os desafios já existentes no setor.

 

Um dos maiores desafios enfrentados pelo profissional de saúde é a sobrecarga de trabalho. Estudos mostram que, em média, médicos e enfermeiros trabalham entre 10 a 20 horas há mais por semana do que a jornada padrão de 40 horas. Essa carga horária excessiva não só contribui para o esgotamento físico e mental, mas também aumenta o risco de erros assistenciais.

 

Um estudo publicado no *Journal of the American Medical Association* (JAMA) encontrou uma correlação direta entre jornadas de trabalho prolongadas e um aumento de 27% nos erros assistenciais.

 

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Outro fator crítico é o estresse emocional e psicológico. De acordo com a Associação Médica Americana (AMA), cerca de 44% dos médicos relatam sentir sintomas de burnout, um estado de exaustão física e emocional que pode levar à diminuição da eficácia no trabalho e a um impacto negativo na vida pessoal. Enfermeiros também enfrentam altos níveis de estresse, com cerca de 34% relatando sintomas de burnout em uma pesquisa realizada pela American Nurses Association (ANA).

 

Além disso, a carreira na saúde frequentemente envolve exposição a doenças infecciosas e riscos biológicos. Durante a pandemia de COVID-19, essa realidade ficou ainda mais evidente. Segundo dados da OMS, mais de 115.000 profissionais de saúde morreram devido à COVID-19 até 2021. A exposição constante a tais riscos não só coloca em perigo a saúde física desses trabalhadores, mas também causa um impacto significativo em sua saúde mental.

 

A falta de recursos e infraestrutura adequada é outra dor constante. Muitos profissionais de saúde relatam trabalhar em condições onde os equipamentos médicos são escassos ou obsoletos, o que dificulta a prestação de cuidados de qualidade. Em uma pesquisa da Kaiser Family Foundation, 76% dos enfermeiros afirmaram que a falta de recursos era um problema grave que impactava negativamente a qualidade do atendimento prestado.

 

A remuneração inadequada também é um ponto de dor significativo. Embora a percepção geral seja de que o profissional de saúde é bem remunerado, a realidade é que muitos, especialmente aqueles em início de carreira ou em áreas menos especializadas, enfrentam salários que não correspondem à carga de trabalho e responsabilidade que assumem. Um relatório do Bureau of Labor Statistics dos EUA destacou que, apesar do aumento da demanda por enfermeiros, os salários não cresceram proporcionalmente nos últimos anos.

 

A burocracia e a administração também são desafios diários. O profissional de saúde frequentemente se encontra atolado em tarefas administrativas, preenchendo formulários e lidando com a papelada necessária para a prática médica. Um estudo publicado no *Annals of Internal Medicine* revelou que os médicos gastam aproximadamente 49% do seu tempo em tarefas administrativas, o que reduz significativamente o tempo disponível para atendimento ao paciente.

 

A questão do equilíbrio entre vida profissional e pessoal é outro desafio constante. Profissional de saúde luta para encontrar tempo para sua família e para si mesmo, devido às exigências da profissão. Pesquisa da Mayo Clinic revela que médicos que trabalham mais de 60 horas por semana têm duas vezes mais probabilidade de sofrer de depressão do que aqueles que trabalham menos horas.

 

O reconhecimento e valorização do trabalho realizado pelo profissional de saúde também é um aspecto crítico. Apesar do papel vital que desempenham, muitos se sentem desvalorizados e subestimados. Segundo a Gallup, apenas 38% dos enfermeiros e 41% dos médicos sentem que são reconhecidos e apreciados adequadamente por seu trabalho.

 

Por fim, o desenvolvimento profissional contínuo é uma necessidade constante para acompanhar os avanços da medicina e tecnologia. No entanto, a falta de tempo e recursos para educação continuada pode ser um obstáculo significativo. Uma pesquisa da Medscape indicou que 64% dos profissionais de saúde sentem que não têm tempo suficiente para participar de programas de desenvolvimento profissional, o que pode afetar a qualidade do atendimento e o progresso na carreira.

 

Em suma, o profissional de saúde enfrenta uma série de desafios complexos que impactam tanto sua vida pessoal quanto profissional. Para abordar essas dores, é essencial que as instituições de saúde, governos e sociedade reconheçam e implementem medidas eficazes para melhorar as condições de trabalho, garantir suporte emocional e financeiro, e promover um ambiente que valorize e apoie esses trabalhadores essenciais.

 

Fonte da imagem: Envato



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