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As 08 Fragilidades na Segurança do Paciente em Anestesiologia

Conheça os principais desafios para a segurança do paciente na especialidade

 

A segurança do paciente em anestesiologia foi definida como o conjunto de medidas tomadas para minimizar os riscos relacionados à anestesia e garantir a segurança do paciente. Inúmeros esforços foram feitos para melhorar significativamente a segurança por meio de melhorias farmacológicas e técnicas, seguidas pelo desenvolvimento e ampla adoção de diretrizes de prática clínica.

 

Histórico

A introdução de anestésicos halogenados marcou um ponto de virada na prática anestésica, oferecendo vantagens significativas em termos de segurança, eficácia e controle. Ademais, o uso do pentotal demonstrou uma queda significativa na taxa de mortalidade, de 1 em 450 para 1 em 5.500 entre 1943 e 1944. Ao mesmo tempo, técnicas de administração mais precisas, como a anestesia locorregional, ajudaram a limitar as complicações. Em segundo lugar, os equipamentos de monitorização melhoraram consideravelmente, permitindo uma monitorização mais detalhada dos parâmetros vitais do paciente. Além disso, tem-se dado ênfase à educação continuada dos anestesistas e à adoção de protocolos, recomendações de segurança nacionais e internacionais e ao desenvolvimento de listas de verificação padronizadas.

Ademais, desde o início do século XX, as associações e sociedades profissionais têm desempenhado um papel essencial na área da anestesia, reunindo profissionais, promovendo as melhores práticas, impulsionando a pesquisa e garantindo a segurança do paciente.

 

Situação atual e desafios

A anestesia moderna enfrenta desafios complexos relacionados aos riscos intrínsecos do ato anestésico, às características dos pacientes, às limitações dos profissionais de saúde, bem como aos problemas de acesso aos cuidados e à falta de recursos e treinamento da equipe, particularmente em países de baixa e média renda. Acompanhe abaixo os principais desafios para a segurança do paciente na especialidade:

 

1. Riscos associados ao Procedimento Anestésico

A anestesia sempre foi conhecida por seus efeitos colaterais e complicações específicas. De fato, os incidentes correspondem a eventos evitáveis ​​relacionados à administração da anestesia, que podem ter ou tiveram resultados prejudiciais para o paciente. Por outro lado, apesar dos avanços na anestesiologia, seus efeitos colaterais menores e complicações comuns permanecem sem mudanças significativas, como náuseas e vômitos, que podem afetar até 30% dos pacientes, boca seca, dor de garganta, dor muscular, coceira, calafrios, sonolência, danos dentários e danos aos nervos periféricos. Além disso, podem ocorrer sequelas a longo prazo ou complicações com risco de vida, como complicações respiratórias (hipóxia, broncoespasmo e aspiração) devido à obstrução das vias aéreas, intubação difícil ou reação alérgica a anestésicos, além de complicações cardiovasculares (hipotensão, arritmias e parada cardíaca), especialmente em pacientes com doença cardíaca, e complicações neurológicas (neuropatia, acidente vascular cerebral e confusão pós-operatória), que podem resultar de perfusão cerebral inadequada ou reação a medicamentos anestésicos. Além disso, podem ocorrer complicações graves relacionadas a medicamentos, como reações alérgicas e erros de dosagem.

Estudos demonstraram que reações alérgicas, embora raras, podem ser potencialmente fatais, ocorrendo em 0,1-0,01% dos casos sob anestesia geral. Além disso, complicações relacionadas à intubação, como falha na intubação, intubação esofágica, aspiração pulmonar e hipóxia, têm sido frequentemente relatadas. Segundo um estudo, parada cardíaca peri-intubação ocorreu em 4% dos pacientes de emergência, com uma taxa de mortalidade hospitalar de 84%, mesmo após o retorno da circulação espontânea. Em contrapartida, a parada cardíaca associada à anestesia geral, regional e local diminuiu ao longo do tempo.

As principais complicações da anestesia locorregional incluem toxicidade, que pode ocorrer com doses excessivamente altas, particularmente em pacientes frágeis, juntamente com complicações neurológicas, como lesão nervosa. Além disso, o risco de infecção e deslocamento do cateter requer atenção especial, e complicações respiratórias graves, como apneia, também foram observadas em alguns casos.

 

2. Riscos na Gestão de Equipamentos

O mau funcionamento de equipamentos e dispositivos de anestesia pode levar a complicações intraoperatórias graves. Atualmente, embora as falhas relatadas anteriormente na literatura tenham se tornado menos prováveis ​​com as novas gerações, problemas inesperados ainda podem ocorrer. Portanto, é essencial prestar atenção especial à seleção e administração de anestésicos para minimizar os riscos associados.

 

3. Baixa Adesão ao uso do Checklist de Segurança Cirúrgica

A negligência do checklist no centro cirúrgico pode ter sérias consequências para a segurança do paciente, e a ausência de verificações sistemáticas pode levar a erros que nunca deveriam ocorrer. O uso de checklists comprovou ser eficaz na redução da morbidade e mortalidade, internações prolongadas e reinternações. Portanto, o checklist é altamente recomendado em anestesia, pois é uma ferramenta essencial para melhorar a segurança do paciente.

 

4. Preparo pré-operatório adequado

O preparo pré-operatório inadequado pode ser um fator importante que contribui para a mortalidade perioperatória, enquanto uma melhor organização do cuidado perioperatório pode proporcionar um atendimento de alta qualidade ao paciente.

 

5. Riscos Relacionados ao Paciente

Muitos dos riscos associados à anestesia estão intimamente ligados à condição do paciente. De fato, certos fatores de saúde e histórico médico, como obesidade, idade avançada, tabagismo, uso de cannabis e apneia do sono, podem aumentar os riscos associados à anestesia. Além disso, os medicamentos que o paciente utiliza regularmente podem interagir com os agentes anestésicos e alterar sua resposta, exigindo um ajuste no manejo. Ademais, o estresse e a ansiedade pré-operatórios podem prejudicar a resposta fisiológica do paciente à anestesia e aumentar o risco de complicações.

Nesse contexto, as equipes médicas devem dedicar tempo para informar e tranquilizar os pacientes sobre o procedimento anestésico. De fato, a apreensão e a falta de compreensão dos pacientes sobre a anestesia podem exacerbar suas reações de estresse, com potenciais repercussões na estabilidade hemodinâmica, na sensibilidade aos agentes anestésicos ou na ocorrência de complicações pós-operatórias.

Certamente, o histórico médico do paciente tem uma influência considerável na escolha da técnica anestésica, mas uma consulta pré-operatória completa ajuda a avaliar o estado geral de saúde do paciente e a adaptar o manejo anestésico, reduzindo significativamente o risco de complicações.

 

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6. Riscos Associados aos Profissionais de Saúde

Os anestesiologistas enfrentam desafios significativos, e diversos fatores podem prejudicar a qualidade do atendimento e a segurança do manejo anestésico dos pacientes. De fato, fatores psicológicos e emocionais entre anestesistas, como ansiedade ou burnout, podem influenciar sua prática e capacidade de gerenciar adequadamente as complicações.

Além disso, a fadiga e a sobrecarga de trabalho podem levar a uma diminuição do desempenho psicomotor, das habilidades de comunicação e de trabalho em equipe, bem como a um aumento de erros médicos e do risco de efeitos adversos para os pacientes. No entanto, limitações do desempenho humano, como incompetência da equipe diante da situação, erros na tomada de decisão, ações técnicas inadequadas, confusão de dados, negligência ou falha em seguir as boas práticas, são riscos que podem levar a eventos adversos.

Além disso, o medo de ações judiciais parece ser um fator importante que influencia o comportamento dos anestesistas. Denúncias de negligência médica levam alguns médicos experientes a realizar exames desnecessários ou até mesmo a abandonar a prática, enquanto, para os médicos residentes, essas denúncias prejudicam seu desenvolvimento profissional e os levam a adotar práticas médicas defensivas para se protegerem. Certamente, ações e iniciativas são cruciais para gerenciar o estresse profissional, prevenir o burnout e mitigar o risco de processos judiciais, a fim de garantir um atendimento anestésico seguro e de qualidade. Além disso, uma boa gestão e organização do trabalho podem prevenir eficazmente o esgotamento profissional dos funcionários.

 

7. Dificuldade de Governança

Sistemas de saúde frágeis e prestação inadequada de cuidados de saúde. Falta de infraestrutura hospitalar adequada (salas de cirurgia, unidades de terapia intensiva, manutenção de equipamentos). As taxas de mortalidade perioperatória são elevadas em muitos países, com cerca de 15% de todas as mortes atribuídas à má qualidade dos cuidados de saúde. Além disso, 60% das mortes maternas evitáveis ​​e 53% das mortes em crianças menores de cinco anos devem-se a cuidados de saúde inadequados. Coordenação e gestão inadequadas dos serviços de anestesia, com lacunas na qualidade dos cuidados, nomeadamente nos circuitos de referência, diagnóstico precoce e rastreio, e serviços de patologia e laboratório especializado.

 

8. Dificuldade de Uso das Novas Tecnologias

A anestesiologia do futuro será marcada pela transformação tecnológica, possibilitando um atendimento personalizado e otimizado. De fato, a IA, a genômica e a simulação digital oferecerão uma compreensão mais profunda das necessidades individuais de cada paciente, levando a intervenções mais precisas e personalizadas. No entanto, a integração dessas tecnologias apresenta desafios significativos e exigirá um esforço considerável.

 

 

Fonte da imagem: Envato
Fonte do Conteúdo:
Harfaoui W, Alilou M, El Adib AR, Zidouh S, Zentar A, Lekehal B, Belyamani L, Obtel M. Patient Safety in Anesthesiology: Progress, Challenges, and Prospects. Cureus. 2024 Sep 16;16(9):e69540.