- 29 de agosto de 2025
- Posted by: Grupo IBES
- Category: Notícias

A acreditação como oportunidade de aprendizado mútuo entre avaliadores e instituições
O olhar crítico e imparcial do avaliador permite que a organização perceba fragilidades muitas vezes invisíveis na rotina
O processo de acreditação em saúde é reconhecido mundialmente como um dos principais instrumentos para promover qualidade e segurança do paciente. Muito além da conformidade com padrões estabelecidos, a acreditação representa uma jornada de aprendizado e melhoria contínua. Nesse contexto, tanto as instituições de saúde quanto os avaliadores envolvidos se beneficiam de uma troca rica de conhecimentos, experiências e boas práticas.
Para as instituições, a avaliação externa é uma oportunidade de refletir sobre seus processos, identificar lacunas e adotar soluções inovadoras. O olhar crítico e imparcial do avaliador permite que a organização perceba fragilidades muitas vezes invisíveis na rotina, favorecendo a implementação de mudanças sustentáveis (ONA, 2020).
Leia mais: Impacto prático dos Avaliadores IBES/ONA na segurança do paciente e reputação institucional
Já para os avaliadores, cada visita é um laboratório vivo de aprendizagem. Ao interagir com diferentes instituições, eles ampliam sua visão sistêmica sobre a gestão em saúde, conhecem novas metodologias, práticas assistenciais e modelos de governança clínica que enriquecem sua atuação profissional (JCI, 2020).
Esse aprendizado mútuo gera um círculo virtuoso. Enquanto a instituição aprimora seus processos com base nos feedbacks recebidos, os avaliadores expandem seu repertório e consolidam competências em análise crítica, comunicação e facilitação de mudanças (Moura et al., 2021).
Outro ponto relevante é a troca de experiências interinstitucionais. Avaliadores atuam como pontes, levando boas práticas observadas em uma organização para inspirar melhorias em outras, sempre respeitando o sigilo e a ética profissional. Esse processo contribui para a disseminação de uma cultura de qualidade em todo o sistema de saúde (Oliveira & Rodrigues, 2020).
Para as equipes assistenciais, o contato com os avaliadores durante o processo de acreditação é também um momento de aprendizado. Ao responderem perguntas, demonstrarem práticas e discutirem protocolos, os profissionais de saúde passam a refletir sobre sua própria atuação, fortalecendo o engajamento e a cultura da segurança (WHO, 2021).
Os avaliadores, por sua vez, aprendem com os desafios locais das instituições, compreendendo diferentes realidades e contextos. Isso amplia sua empatia e capacidade de adaptação, atributos fundamentais para apoiar organizações de perfis variados, desde pequenos serviços até hospitais de alta complexidade (IBES, 2022).
A acreditação, portanto, não deve ser vista como um processo unilateral, mas sim como uma parceria de aprendizado. O avaliador não se coloca como um fiscal, e sim como um facilitador do desenvolvimento institucional, orientando melhorias e reconhecendo conquistas (Silva et al., 2019).
Essa abordagem colaborativa fortalece a confiança entre avaliadores e organizações, permitindo que as mudanças propostas sejam recebidas com maior receptividade e aplicadas de forma prática e duradoura (Mendes, 2020).
No plano macro, o aprendizado mútuo fortalece o próprio sistema de acreditação. À medida que avaliadores e instituições compartilham experiências, os padrões de qualidade se tornam mais aplicáveis, dinâmicos e conectados com a realidade da saúde brasileira e internacional (JCI, 2020).
Assim, a acreditação se configura como um processo de crescimento compartilhado. Instituições elevam seus níveis de qualidade e segurança, enquanto avaliadores consolidam seu papel como líderes de transformação e multiplicadores de boas práticas.
Investir nesse modelo é investir não apenas no desenvolvimento das organizações, mas também no fortalecimento contínuo dos profissionais que conduzem a avaliação, gerando impacto positivo para todo o ecossistema de saúde.
Fonte da imagem: Envato
Referências:
• IBES – Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde. (2022). Formação de Avaliadores ONA/IBES.
• Joint Commission International (JCI). (2020). International Standards for Hospitals.
• Mendes, E. V. (2020). A construção social da atenção primária à saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde.
• Moura, A. A., Carvalho, T. R., & Lima, M. F. (2021). Consultoria em qualidade e acreditação em saúde. Revista de Gestão em Saúde.
• Oliveira, P. H., & Rodrigues, M. A. (2020). Networking e liderança em saúde: impactos da acreditação. Revista Qualidade em Saúde.
• Organização Nacional de Acreditação (ONA). (2020). Manual Brasileiro de Acreditação.
• Silva, A. P., Souza, J. L., & Andrade, C. M. (2019). Governança clínica e acreditação hospitalar. Revista Gestão em Saúde.
• World Health Organization (WHO). (2021). Patient Safety Curriculum Guide.