Zika vírus e microcefalia, 4 anos depois da descoberta

O Brasil liderou a descoberta, há quatro anos, da relação do vírus zika e o aumento de casos de microcefalia e outras alterações em bebês. Tal protagonismo científico foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que, na época, ressaltou a rapidez nas investigações conduzidas pelo Brasil. Hoje, apesar de uma diminuição importante no número de casos, o Ministério da Saúde continua acompanhando a situação, investigando os casos e investindo em ações de saúde pública para o cuidado dessas crianças.

Nesta quinta-feira (5), o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, apresentou um balanço desses quatro anos em que o Brasil iniciou enfrentamento aos agravos causados pelo vírus zika. O Boletim Epidemiológico da Síndrome Congênita associada à infecção pelo vírus zika (SCZ) foi lançado durante a 16ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), realizada em Brasília (DF).

De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, o vírus zika continua presente e afetando famílias no Brasil inteiro. “Diferente de outras doenças que também resultam em consequências graves, como a dengue e a chikungunya, o vírus zika afeta a fase mais importante da criança, que é o crescimento”, afirmou. Wanderson ressaltou que o enfrentamento ao vírus zika possibilitou enxergar um universo que estava oculto: o das doenças relacionadas às anomalias congênitas, como cardiopatia e doenças neurológicas.

Segundo Wanderson, para 2020, o Ministério da Saúde colocará a vigilância de anomalias congênitas e de doenças raras como prioridade do governo federal. “Nós faremos esse trabalho integrado com outros ministérios e outras instituições, buscando principalmente a integração das ações de vigilância com a Atenção Primária, que promove as ações de cuidado a esses pacientes”, concluiu o secretário.

Os dados do boletim mostram que ainda estão sendo registrados novos casos da síndrome congênita (SCZ). Em 2019, até outubro, foram confirmados 55 casos, dos quais 29 foram de recém-nascidos ou crianças nascidas neste ano; 3 evoluíram para óbito. Nos últimos quatro anos, no total foram confirmados 3.474 casos no país. Destes, 954 foram confirmados em 2015; 1.927 em 2016; 360 em 2017; 178 em 2018.

Mesmo com a estabilização no número de casos registrados, o Ministério da Saúde continua investindo nas ações de prevenção, atenção à saúde e pesquisa. Como resposta, atualmente, o Ministério da Saúde tem trabalhado na construção do Plano de Vigilância e Atenção para crianças com anomalias congênitas, como a microcefalia, por exemplo. Isso vai permitir ações diretas para o cuidado em saúde, desde o diagnóstico, reabilitação e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças, permitindo identificar de forma mais oportuna e precoce as anomalias congênitas que possam necessitar de algum tratamento e reabilitação.

ASSISTÊNCIA ÀS CRIANÇAS

O plano de vigilância e atenção para crianças com anomalias congênitas surge pela necessidade de qualificar ainda mais as políticas públicas de saúde para esta população. Neste Plano estão previstas diversas ações para ampliar a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) na vigilância e atenção das crianças com anomalias congênitas. Haverá também revisão do protocolo atual referente à SCZ, apresentando novas recomendações, especialmente no âmbito do cuidado, considerando novas e recentes evidências apresentadas pelas pesquisas.

Desde 2015, o Ministério da Saúde desenvolve uma série de ações para dar resposta a vigilância e atenção às crianças com Síndrome Congênita Associada à Infecção pelo vírus zika. Em março de 2016, lançou a Estratégia de Ação Rápida que teve como objetivo viabilizar o diagnóstico completo das crianças no menor tempo e da forma mais confortável possibilitando o encaminhamento mais adequado para o cuidado.

Quando identificados sinais e sintomas compatíveis com a SCZ ou confirmado diagnóstico, a criança é encaminhada para a estimulação precoce, atendimento que envolve técnicas para estimulação neurosensorial específicas para lidar com problemas de mobilidade motora, fala, postura, entre outros. Algumas crianças são atendidas na Atenção Primária, com equipes compostas por profissionais (fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais) de reabilitação para auxiliar na estimulação e desenvolvimento. Outros estão em atendimento na atenção especializada, feito na área de reabilitação do Centros Especializados de Reabilitação (CER), com as modalidades auditiva, visual, intelectual, física e múltiplas deficiências.

PROTAGONISMO BRASILEIRO

Os primeiros relatos de aumento de casos de microcefalia ocorreram no estado de Pernambuco, em outubro de 2015. Assim que foi acionado pelo estado, o Ministério da Saúde enviou equipes técnicas para ajudar nas investigações e notificou a OMS da situação. Em novembro daquele ano, foi ativado o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES) em Brasília (DF), com equipe preparada para atuar 24 horas por dia. No mesmo mês, o Ministério da Saúde decretou situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) e passou a divulgar, semanalmente, informes epidemiológicos com os casos notificados pelos estados.

Como a situação era desconhecida pela comunidade médica e científica de todo o mundo, o Ministério da Saúde reuniu especialistas de diferentes áreas para a investigação e estudo dos casos. Assim que foi comprovada, em novembro de 2015, a relação entre o zika e a microcefalia no país, foi criada a primeira versão do Plano de Enfrentamento ao Aedes e à Microcefalia, publicado em dezembro de 2015. O documento reunia todas as informações conhecidas até aquele momento, dividido em três eixos: Mobilização e Combate ao Mosquito; Atendimento às Pessoas; e Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa. Diferentes ministérios e órgãos do governo foram acionados para trabalhar conjuntamente, em parceria com estados e municípios.

Em maio de 2017, o Ministério da Saúde declarou o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN), após avaliação de risco concluir que o Brasil não preenchia mais os critérios para definição de emergência, de acordo com os parâmetros da OMS. Ainda assim, a situação continua sendo acompanhada de perto pelo Ministério da Saúde e os investimentos em assistência e pesquisas para conhecer melhor a relação do zika com as alterações neurológicas são uma prioridade da Pasta.

 

FONTE: Ministério da Saúde

 

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