Os 9 certos na administração segura de medicamentos pela enfermagem – Por Aléxia Costa

Por Aléxia Costa

De acordo com o NCCMERP, erro de medicação é qualquer evento evitável que pode causar ou induzir ao uso inapropriado do medicamento ou prejudicar o paciente, enquanto a medicação está sob o controle de um profissional de saúde, paciente ou consumidor. A ocorrência de erros de medicação apresenta uma alta incidência em todos os tipos de organizações de saúde (incluindo organizações ambulatoriais e serviços de diagnósticos), de forma que aprimorar o conhecimento de passos críticos para se garantir a segurança em todo o ciclo do medicamento é de suma importância.

 

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“…talvez pareça estranho enunciar como primeiro dever de um hospital não causar mal ao paciente…” (Florence Nightingale, 1859)

A administração medicamentosa, por ser a última barreira de captação de possíveis falhas advindas de outras etapas deste ciclo (por exemplo, um erro de prescrição que não foi identificado nas etapas de análise da prescrição nem na fase de separação/dispensação do medicamento) se torna de extrema importância.

De acordo com estudo do famoso especialista em Segurança do paciente, Leape et al. (1995), “a enfermagem é capaz de impedir até 86% dos erros relacionados ao uso de medicamentos, provenientes dos processos de prescrição, transcrição, e de dispensação, mas somente 2% dos erros relacionados à administração conseguem ser impedidos”.

 

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A equipe de enfermagem, portanto, deve estar ciente de quais são estas etapas de maior criticidade, a fim de realizar conferências que funcionam como barreiras de processo, inclusive porque a probabilidade de dano grave ou óbito de pacientes, por erros de administração de medicamentos, é muito grande.

Os “9 certos da administração de medicamentos’’ são utilizados para advertir os profissionais sobre fatores que podem ocasionar os erros de medicação. Tais itens devem ser sistematicamente verificados a cada administração medicamentosa:

1. Medicação certa
2. Paciente certo
3. Dose certa
4. Via certa
5. Horário certo
6. Registro certo
7. Ação certa
8. Forma farmacêutica certa
9. Monitoramento certo

 

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Cada um dos “certos” deve funcionar como uma efetiva barreira para evitar as ocorrências de eventos indesejados ao paciente, uma ve que erros de medicação são passíveis de prevenção.

Outras estratégias que podem aprimorar a segurança na administração de medicamentos:

Implementar um sistema de notificação de erros de medicação, incentivando a notificação voluntária (e não punitiva) destes erros (ou quase-erros: near-miss).
Não permitir que outro profissional prepare/dilua a medicação que você, profissional de enfermagem, vai administrar, sem que haja um processo seguro implementado (por exemplo: manipulação dos antibióticos em cabine de fluxo lainar na farmácia, assegurando conferências de todas as etapas do processo, identificando claramente as seringas, etc).

Na dúvida sobre qualquer item da prescrição, não administrar o medicamento até que o médico prescritor confirme as informações. Não hesite em pedir ajuda à equipe de farmácia, em caso de dúvidas sobre medicamentos.

Dar preferência para práticas de boa comunicação e gerenciamento do uso de medicamentos, especialmente os medicamentos de alto risco/potencialmente perigosos, como é o caso dos eletrólitos concentrados.

 

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Neste episódio Alexia Costa aborda sobre o aumento da segurança no uso do medicamento através da acreditação.

Este estudo, realizado na Coréia do Sul, comparou as percepções do clima de segurança e atitude em relação às notificações de erros de medicação pela enfermagem, antes e depois de um programa de acreditação hospitalar.

 

 

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Aléxia Costa – Diretora de Ensino e Capacitação do IBES
Farmacêutica pela Universidade Católica de Santos. Mestre em Genética e Genomas pela UNIVAP. MBA em Gestão e Engenharia da Qualidade pela Escola Politécnica da USP. Monitora de Pesquisa Clínica pela Sociedade Brasileira de Profissionais de Pesquisa Clínica. Avaliadora de Sistemas de Saúde, através da metodologia ONA e Accreditation Canada. Docente da disciplina Gerenciamento de Riscos aplicado à Gestão da Qualidade, no MBA da Escola Politécnica da USP. Experiência em Gerenciamento de Farmácia Hospitalar e Oncológica em instituições de saúde. Fellow ISQua.