Morte prematura é 3 vezes maior em pessoas com epilepsia, afirma OMS

Três quartos das pessoas que vivem com epilepsia em países de baixa renda não recebem o tratamento do qual necessitam, o que aumenta o risco de morte prematura e condena muitas delas a uma vida permeada pelo estigma.

Os resultados estão no relatório “Epilepsy, a public health imperative” (“Epilepsia, um imperativo de saúde pública”, em tradução ao português), divulgado nesta quinta-feira (20) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), organizações não-governamentais para a epilepsia, Liga Internacional Contra Epilepsia e Bureau Internacional para a Epilepsia.

“A lacuna no tratamento para a epilepsia é inaceitavelmente alta, quando sabemos que 70% das pessoas com a doença podem ficar livres de crises ao terem acesso a medicamentos que podem custar apenas US$ 5 por ano e ser administrados na atenção primária de saúde”, afirmou Tarun Dua, do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OMS.

Morte prematura é três vezes maior em pessoas com epilepsia

O risco de morte prematura entre pessoas com epilepsia é até três vezes maior do que entre a população geral. Em países de baixa e média renda, a morte prematura em pessoas com essa condição é significativamente maior do que em países de alta renda. As razões para essa mortalidade prematura estão provavelmente associadas à falta de acesso aos serviços de saúde quando as convulsões são duradouras ou ocorrem sem período de recuperação, além de causas evitáveis, como afogamento, ferimentos na cabeça e queimaduras.

Aproximadamente metade das pessoas adultas com epilepsia tem pelo menos uma outra condição de saúde. As mais comuns são depressão e ansiedade: 23% dos adultos com epilepsia apresentarão depressão clínica durante sua vida e 20% sofrerão com ansiedade. Condições de saúde mental como essas podem piorar as convulsões e reduzir a qualidade de vida. As dificuldades de desenvolvimento e aprendizagem são experimentadas por 30%-40% das crianças com epilepsia.

Estigma é uma constante

“O estigma associado à epilepsia é um dos principais fatores que impedem as pessoas de procurar tratamento”, disse Martin Brodie, presidente do Bureau Internacional para a Epilepsia. “Muitas crianças com essa condição não vão à escola e os adultos têm o trabalho, o direito de dirigir e até de se casar negados. Essas violações dos direitos humanos enfrentadas por pessoas com epilepsia precisam ter fim”.

Campanhas de informação pública nas escolas, nos locais de trabalho e na comunidade em geral para ajudar a reduzir o estigma e a introdução de legislação para prevenir a discriminação e violações dos direitos humanos também são elementos importantes da resposta de saúde pública.

Tratamento da epilepsia pode ser integrado à atenção primária de saúde

O relatório também mostra que, quando existe vontade política, o diagnóstico e o tratamento da epilepsia podem ser integrados com sucesso à atenção primária de saúde. Programas-piloto introduzidos em Gana, Moçambique, Mianmar e Vietnã, como parte da iniciativa da OMS “Reducing the epilepsy treatment gap”, levaram a um aumento considerável no acesso, fazendo com que mais 6,5 milhões de pessoas acessassem o tratamento quando necessário.

“Nós sabemos como reduzir a lacuna de tratamento da epilepsia. Agora, a ação de introdução das medidas necessárias para fazer a diferença precisa ser acelerada”, disse Samuel Wiebe, presidente da Liga Internacional Contra Epilepsia. “Garantir o fornecimento ininterrupto e acesso aos medicamentos anticonvulsivantes é uma das maiores prioridades, assim como a capacitação de profissionais de saúde não especialistas que trabalham em centros de atenção primária”.

25% dos casos de epilepsia podem ser prevenidos

Entre as causas da epilepsia estão lesão no momento do nascimento, lesão cerebral traumática, infecções cerebrais como meningite ou encefalite e acidente vascular cerebral. Estima-se que 25% dos casos possam ser prevenidos.

Intervenções eficazes para a prevenção da epilepsia podem ser oferecidas como parte de respostas mais amplas à saúde pública em serviços de saúde materna e neonatal, controle de doenças transmissíveis, prevenção de lesões e saúde cardiovascular. Podem ajudar a reduzir as taxas de epilepsia: triagem de complicações na gravidez e a presença de assistentes de parto capacitados(as) para prevenir lesões no nascimento; imunização contra pneumonia e meningite; programas de controle da malária em áreas endêmicas; iniciativas para reduzir lesões no trânsito, violência e quedas; e intervenções na saúde e na comunidade para prevenir hipertensão, diabetes, obesidade e consumo de tabaco.

Sobre epilepsia

A epilepsia é uma das doenças neurológicas mais comuns: afeta quase 50 milhões de pessoas em todo o mundo. É uma condição caracterizada por atividade elétrica do cérebro anormal, que causa convulsões ou comportamento incomum, sensações e, às vezes, perda de consciência. Afeta pessoas de todas as idades, com picos entre crianças e pessoas com mais de 60 anos. Tem consequências neurológicas, cognitivas, psicológicas e sociais.

Trabalho da OMS em saúde mental e transtornos neurológicos

A saúde do cérebro é uma área prioritária de trabalho para a OMS, devido à grande carga de morte e incapacidade causada por transtornos neurológicos. No centro do trabalho está o “Mental Health Gap Action Programme (mhGAP)”. Por meio desta iniciativa, não-especialistas são treinados para oferecer suporte de primeira linha para transtornos mentais, neurológicos e de abuso de substâncias. A Organização fornece apoio aos Estados Membros para incorporar a saúde do cérebro a políticas e planos relevantes e melhorar o manejo dos transtornos neurológicos por meio de modelos integrados à atenção primária de saúde.

 

FONTE: OPAS

 

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