Conversando sobre a morte com o paciente: orientações aos médicos

Uma das maiores preocupações dos profissionais de saúde é abordar o tema morte com os pacientes e familiares. Estudos apontaram que os especialistas julgam desafiador e por vezes, impossível, questionar o enfermo sobre o assunto.

Por outro lado, é importante que as instituições de saúde ofereçam um serviço que prevê a conversa honesta e transparente sobre o que os pacientes podem esperar para o futuro, para que possam opinar e decidir sobre os aspectos que envolvem sua vida.

Partilhando deste ponto de vista, a Royal College of Physicians publicou neste ano uma série de recomendações para desenvolver e aprimorar a confiança dos profissionais ao discutir com pacientes e familiares sobre suas preferências, valores e vontades no que diz respeito ao fim da vida.

 

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Confira as recomendações:

  1. Todos os profissionais de saúde avaliando paciente com condições crônicas, múltiplas comorbidades ou doenças terminais deve fomentar e encorajar uma tomada de decisão compartilhada, incluindo planejamento do cuidado avançado concordando com as preferências dos pacientes. Isto pode e deve ser abordado em clínicas ambulatoriais, assim como enfermarias.
  2. Todas as especialidades tratam e cuidam das pessoas que podem ficar doentes o suficiente para morrer; portanto, é responsabilidade de todos os profissionais promover melhorias no cuidado ao final da vida.
  3. “O fim da vida” marca a última fase da vida, que pode durar vários meses ou anos. Conversas sobre o futuro podem, e devem, ser iniciadas a qualquer momento; eles não precisam esperar até as últimas semanas de vida. Quando a perda da capacidade mental é antecipada, as conversas iniciais se tornam mais pressionadas e os profissionais precisam ser proativos para iniciá-las.
  4. Conversa é um processo. Qualquer profissional a qualquer momento na jornada de cuidado do paciente, independentemente de onde estão no cuidado: primário, secundário, terciário, deve engajar pacientes dispostos. Não é um evento isolado.
  5. Conversas não precisam chegar a “uma conclusão”. Talvez seja necessário várias discussões antes de tomar qualquer decisão definitiva, e encorajar o paciente a pensar sobre suas preferências nem sempre precisa terminar com um plano escrito. Documentar quanto avanço o diálogo teve a cada vez, permite que tópicos da conversa sejam retomados na próxima vez, mesmo que por outro colaborador.
  6. Os profissionais devem assegurar que esta conversa iniciada nas clínicas ou antes da alta hospitalar seja comunicada ao paciente. É uma forma de abordar e explorar mais a fundo caso necessário.
  7. Se você está incerto sobre ter essa conversa, pergunte aos pacientes se é algo que eles gostariam de discutir e o quanto de informação eles gostariam. Mesmo que eles não desejem discutir naquele momento, você terá plantado a semente para facilitar a abordagem do assunto quando estiverem prontos.
  8. Esteja atento a linguagem que usa com os pacientes, seus familiares e outros profissionais. O cuidado paliativo não é “fazer nada”. Não há um limite máximo do cuidado e os profissionais nunca param de cuidar. O foco do cuidado é evitar os danos de tratamentos fúteis, inapropriados, indesejados e ajudar os pacientes a viver o melhor possível o máximo de tempo que conseguirem.
  9. Garanta que todas as pessoas relevantes façam parte das conversas sobre o futuro; isto dependerá da preferência individual do paciente, mas envolver familiares/amigos e profissionais de outros setores deve ser considerado.
  10. Considere usar uma ferramenta estruturada, tal como o processo ReSPECT para auxiliar as conversas e documentação.
  11. Evite dar prognósticos precisos erroneamente.
  12. Use abordagens locais de melhoria da qualidade para fazer isto direito.
  13. Considere incluir reflexões nos seus encontros sobre mortalidade e morbidade:

Esta morte era esperada?

As prioridades do paciente sobre o cuidado ao fim da vida eram conhecidos?

Elas foram aderidas?

Houve perda de oportunidades para melhorar o planejamento do cuidado?

O feedback das famílias em luto podem informar sobre as práticas no seu departamento?

14. Ofereça feedback aos membros da equipe, principalmente os profissionais novos que terão essa conversa pela primeira vez.

15. Considere ler Being mortal do Atul Gawande e With the end in mind da Kathryn Mannix como parte do seu compromisso com o desenvolvimento profissional sobre o final da vida.

 

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Neste episódio, Aléxia Costa comenta sobre as diferenças entre medidas de segurança do paciente x percebidas:

 

Referência:

Royal College of Physicians. Talking about dying: How to begin honest conversations about what lies ahead. Outubro de 2018.



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