- 30 de março de 2026
- Posted by: Grupo IBES
- Category: Notícias
Brasil e Reino Unido: cooperação internacional fortalece estratégias em tecnologias em saúde
Além da Acreditação CHKS e o Sistema de Saúde Universal, Brasil e Reino Unido têm ainda mais coisas em comum na saúde!
A crescente incorporação de tecnologias inovadoras — muitas vezes de alto custo — tem imposto desafios significativos aos sistemas de saúde em todo o mundo. Nesse cenário, o intercâmbio realizado entre o Ministério da Saúde e o National Institute for Health and Care Excellence, em março de 2026, representa um avanço estratégico na busca por modelos mais eficientes de negociação de preços e incorporação de tecnologias no sistema público.
A iniciativa reforça a importância da cooperação internacional para equilibrar dois objetivos frequentemente tensionados: ampliar o acesso à inovação e garantir a sustentabilidade financeira dos sistemas de saúde.
O desafio global: inovação versus sustentabilidade
Sistemas universais como o Sistema Único de Saúde enfrentam um cenário cada vez mais complexo:
- Crescimento acelerado de terapias inovadoras (biológicos, terapias gênicas)
- Aumento expressivo dos custos assistenciais
- Pressão por acesso rápido a novas tecnologias
- Limitações orçamentárias estruturais
Esse contexto exige modelos sofisticados de avaliação de tecnologias em saúde (ATS) e negociação com a indústria farmacêutica.
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O papel da Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS)
A ATS se consolida como um dos principais instrumentos para دعم decisões em saúde baseadas em valor. No Brasil, esse papel é desempenhado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.
Entre seus objetivos centrais estão:
- Avaliar eficácia, segurança e custo-efetividade
- Apoiar decisões de incorporação tecnológica
- Promover o uso racional de recursos públicos
- Garantir transparência no processo decisório
O intercâmbio com o NICE — referência global em ATS — amplia a maturidade metodológica e estratégica desse processo no Brasil.
NICE: referência internacional em negociação e valor em saúde
O National Institute for Health and Care Excellence é amplamente reconhecido por seu modelo estruturado de:
- Avaliação econômica baseada em custo-efetividade (ex.: QALY)
- Negociação de preços com a indústria
- Acordos de compartilhamento de risco (risk-sharing)
- Integração entre regulação, evidência e decisão clínica
A experiência britânica demonstra que a negociação de preços não é um processo isolado, mas parte integrante da avaliação de valor das tecnologias.
Intercâmbio técnico: aprendizados e oportunidades
Durante o encontro, representantes brasileiros e britânicos discutiram:
- Modelos de precificação e negociação de medicamentos
- Integração entre ATS e decisões regulatórias
- Aspectos jurídicos e institucionais
- Estratégias para ampliação do acesso com eficiência de custos
A participação de áreas como a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e a CONITEC reforça o caráter estratégico da agenda.
Governança, transparência e tomada de decisão baseada em valor
A agenda Brasil–Reino Unido evidencia uma transformação importante: a evolução da incorporação tecnológica para um modelo orientado por valor em saúde.
Sob a ótica da governança clínica e organizacional, destacam-se:
- Accountability: decisões fundamentadas em evidências e impacto econômico
- Transparência: critérios claros de incorporação e negociação
- Sustentabilidade: equilíbrio entre acesso e capacidade financeira
- Equidade: ampliação do acesso a tecnologias essenciais
Esse modelo reduz assimetrias e fortalece a legitimidade das decisões públicas.
Impactos para o sistema de saúde brasileiro
A cooperação internacional pode gerar ganhos concretos para o SUS:
- Maior capacidade de negociação com a indústria farmacêutica
- Redução de custos na incorporação de tecnologias
- Aceleração do acesso a terapias inovadoras
- Fortalecimento institucional da ATS
Além disso, promove o alinhamento com práticas globais de excelência.
Conclusão: inovação com responsabilidade
O intercâmbio entre Brasil e Reino Unido sinaliza um caminho claro para o futuro dos sistemas de saúde: não basta inovar — é preciso incorporar com responsabilidade, evidência e sustentabilidade.
A experiência compartilhada com o National Institute for Health and Care Excellence reforça que decisões de alto impacto exigem integração entre ciência, economia e governança.
Para o Grupo IBES, esse movimento destaca a importância de apoiar organizações de saúde na construção de modelos decisórios robustos, onde qualidade, eficiência e valor caminham de forma integrada — garantindo acesso seguro, sustentável e equitativo à inovação.
Fonte da imagem: Envato
Fonte do Conteúdo: Ministério da Saúde

